| Psicoterapia produz mudanças no cérebro, diz estudo |
| Escrito por Paulo Abreu |
| Qua, 17 de Dezembro de 2008 21:00 |
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Psicoterapia pode produzir mudanças no cérebro em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo similares às alterações observadas com o uso de medicação psiquiátrica, diz estudo. “Isso nos informa que tratamentos comportamentais efetivos podem ter efeitos biológicos, não apenas psicológicos, disse o Dr Eric Hollander, diretor do programa de tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo no Mount Sinai School of Medicine em Manhattan. “Então você pode pensar nessas terapias como uma forma de mudar a própria biologia”. O transtorno obsessivo-compulsivo afeta aproximadamente cinco milhões de americanos. Seus sintomas incluem obsessões, a exemplo de pensamentos intrusivos que dizem que algo ruim vai acontecer com alguma pessoa amada, e compulsões, a exemplo de sentimentos de urgência em lavar as mãos repetidas vezes ao longo do dia. Pessoas com esse transtorno podem perder muitas horas do dia absorvidas em suas obsessões e compulsões.
Uma mudança estava estreitamente relacionada com a atividade de certas estruturas cerebrais. “Nós sabemos que no transtorno obsessivo-compulsivo quatro estruturas centrais estão interconectadas”, disse Dr. Jeffrey Schwartz, um psiquiatra que conduziu o estudo do Neuropsychiatric Institute of the University of California em Los Angeles. “Mas em pacientes que respondem ao tratamento, essas estruturas podem operar independentemente, como nos casos de pessoas sem o transtorno.” As estruturas que se tornam mais ativas parecem estar por trás dos sintomas. Uma é o córtex fronto-orbital, situado acima da órbita dos olhos. Dada estrutura opera como o circuito cerebral de detecção de erro. “O córtex fronto-orbital alerta o resto do cérebro quando alguma coisa está errada e precisa ser resolvida”, disse Dr. Schwartz. “No transtorno obsessivo-compulsivo esse circuito está hiperativo, então você mantém-se corrigindo o que pensa não estar certo, como quando checa várias vezes a válvula de um fogão.” Conexões dos núcleos caudados e do giro do cíngulo, estruturas profundas do cérebro, “dão a você a sensação de que algo está terrivelmente errado,” disse Dr. Schwartz. “Elas fazem seu coração disparar e suas víceras se agitarem em ansiedade”. O tálamo, região cerebral relacionada à informação sensorial, também age em conjunto. “Quando alguém se torna mais ativo metabolicamente, as outras três estruturas também assim o fazem.”, disse Dr. Schwartz. “Mas esse não é o caso das pessoas saudáveis.” Ele acrescenta: “Nosso maior achado é que essa correlação pode ser revertida através somente da terapia cognitivo-comportamental, sem o uso de medicamentos.” O segundo achado, é que o núcleo caudado se torna menos ativo em pacientes que respondem à terapia, confirmando e ampliando os resultados já publicados pelo mesmo grupo de pesquisadores da U.C.L.A. no ano passado, em um estudo conduzido pelo Dr Lew Baxter - agora da Universidade do Alabama. O núcleo caudado é usualmente ativo em pessoas com o transtorno obsessivo-compulsivo. Pacientes que respondem positivamente aos Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRS) como o Prozac e o Luvox, normalmente os medicamentos de escolha, também apresentam menor atividade no núcleo caudado. Na terapia cognitivo-comportamental, pacientes aprendem a redefinir suas urgências obsessivas, ao invés de simplesmente se entregar a elas. “Nós dizemos a eles - ‘ao invés de dizer para você mesmo que deve lavar as mãos novamente' - para dizer - ‘eu estou tendo uma obsessão ou uma compulsão novamente’ ”, disse Dr. Schwartz . Os pacientes também foram instruídos a explicar para si mesmos o porquê das urgências e do temor persistente, lembrando que tinham uma condição médica que lhes causava sentimentos e pensamentos. Então, ao invés de cederem às obsessões, os pacientes intencionalmente se engajavam por 15 minutos em uma atividade agradável ou produtiva. “Eles poderiam praticar algum instrumento musical, dar uma volta ou fazer tricô”, disse Dr. Schwartz. “Isso mudava sua atenção das compulsões. Eu acredito que esse passo é crucial em alterar o circuito cerebral.” Os pesquisadores disseram que a terapia, com sessões uma ou duas vezes na semana, culminou com os pacientes sendo capazes de pôr de lado seus sintomas obsessivos tão logo os sentissem. Finalmente, os pesquisadores disseram que as obsessões por si mesmo diminuíram. Outros estudos envolvendo terapia comportamental mostraram que as pessoas que tentaram o tratamento tiveram benefícios em aproximadamente 80 por cento dos casos. Mas nem todos os pacientes com o transtorno obsessivo-compulsivo estão dispostos a tentar a terapia. “Ela requer que o paciente confronte seus piores medos (ver texto do Paulo sobre técnicas),” disse Dr. Don Black, diretor da clínica do transtorno obsessivo-compulsivo da faculdade de medicina da Universidade de Iowa, na cidade de Iowa. “Para muitos pacientes isso é muito difícil e eles podem não conseguir ou não querer o tratamento”. Dr Michael Jenike, diretor da clínica para o tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo no Hospital Geral de Massachusetts, disse: “Nós sabíamos que o melhor tratamento combinava medicação e mais a terapia comportamental. Mas esse estudo pode autorizar alguns psiquiatras a usar a terapia comportamental sem o uso de medicamentos.”
Tradução organizada por Paulo Abreu |
| Última atualização ( Seg, 15 de Março de 2010 21:54 ) |







No estudo, publicado no periódico The Archives of General Psychiatry, nove pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo foram submetidas a um método de investigação de imagem cerebral, chamado de PET Scan (ver figura), antes e depois de 10 semanas de