| Dar continuidade à formação acadêmica ou atuar em contexto aplicado? |
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| Escrito por Fabiane Silveira |
| Dom, 11 de Julho de 2010 11:32 |
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Fazer mestrado ou começar logo a trabalhar? Uma questão que algumas vezes de forma explícita, outras nem tanto, incorre aos que estudam psicologia nas suas diferentes vertentes, diz respeito à decisão quanto às possibilidades de atuação aplicada ou prosseguir com a formação e atuação acadêmica. Confesso que nunca fiz essa pergunta aos meus professores e colegas, no entanto, é uma pergunta comumente feita aos professores que lecionam na graduação, que geralmente são acompanhadas pelo comentário dos alunos: “nossa, mas para dar aula precisa estudar tanto...”, esquecendo-se de que o aprofundamento teórico contínuo faz parte da vida de qualquer profissional. Longe de esgotar as reflexões sobre esse tema, este ensaio pretende indicar possíveis fatores a serem considerados no momento da escolha por continuar a formação acadêmica - ou retornar a ela após um período de afastamento - e alçar novas conquistas no campo aplicado. Tomadas de decisão envolvem a explicitação ao máximo possível das características das alternativas disponíveis, bem como das conseqüências positivas e negativas envolvidas em cada uma. Por conveniência, optar-se-á por descrever experiências atribuídas às situações de atuação profissional e formação acadêmica, entendida como contribuição à explicitação das duas alternativas. Ao escolher pelo ingresso no mercado de trabalho, como trabalhar em contexto clínico, escolas, hospitais, organizações, entre outras, o profissional vai trabalhar com problemas práticos, ou seja, sua atuação terá implicações sociais, na medida em que serão apresentadas demandas, problemáticas pertencentes a alçada do profissional, que ao intervir, produz modificações consistentes que diretamente ou indiretamente repercutirão na vida de pessoas. A atuação prática também é conhecida como prestação de serviço, o que não remete a descrédito, desqualificação, mas sim, ressalta o comprometimento com a população ou instituição atendida, assegurando a aplicação de procedimentos de maior eficácia comprovada. O profissional em contexto aplicado estará fortemente comprometido com o arcabouço teórico e metodológico e alinhados com princípios éticos. É tão desejável quanto exigido que essa atuação seja consciente, no sentido de que o psicólogo apresente intervenções a partir de um cuidadosa avaliação, que estabeleça objetivos e metas passíveis de serem alcançadas, que levem em consideração os valores e escolhas dos envolvidos e, que consiga identificar os produtos/consequências dos procedimentos aplicados. Na situação aplicada o profissional entrará em contato com uma audiência composta não necessariamente pelos pares, incluindo colegas psicólogos que adotam referenciais teóricos distintos o que exigirá flexibilidade para discussões de cunho teórico-prático e identificação de compatibilidades mínimas para a condução de um trabalho consistente. Também irá se ver as voltas com equipes multiprofissionais, como em hospitais por exemplo, o que exigirá uma atuação conjunta entre diferentes áreas do conhecimento, cabendo aos profissionais conhecerem minimamente os aspectos que envolvem o desempenho técnico dos demais. Em suma, ao ingressar no mercado profissional, o psicólogo deverá ter o seu trabalho orientado pela produção de alterações de práticas vigentes, que as mesmas garantam um equilíbrio entre ganhos para a sociedade e para os indivíduos, ter alta resistência a frustração, pois as mudanças as vezes são mínimas, a longo prazo ou acumulativas. Por outro lado, a multiplicidade de situações sociais vivenciadas, o contato com as pessoas e o que se pode aprender com elas, faz com que a escolha pela atuação aplicada seja muito gratificante. A continuidade da formação acadêmica se dá com o ingresso em programas de Mestrado Stricto Sensu, Mestrado profissional/acadêmico ou Especializações. As Especializações ou Pós-Graduação Lato Sensu são voltadas para profissionais que almejam aperfeiçoar os conhecimentos para aplicação imediata no ambiente de trabalho.
Os programas de Mestrado Stricto Sensu tradicionais visam a formação de profissionais para o exercício da carreira no ensino superior. Na maior parte dos programas, os interessados devem se inscrever em um processo seletivo composto por fases como prova teórica, proficiência em língua estrangeira, entrevistas e análises de projetos de pesquisa. No decorrer do Mestrado o aluno cumpre créditos das disciplinas teóricas, da consecução da pesquisa e tem a possibilidade de realizar estágios em docência. Nesses estágios serão atribuídos ao mestrando responsabilidades por atividades didáticas, como ministrar aulas, conduzir grupos de estudos, elaborar e aplicar avaliações, etc. Como mencionado anteriormente, os programas de Mestrado tem por objetivos formar indivíduos para a docência e para tal, são exigidos em diferentes momento do curso, que o mestrando adquira conhecimentos sólidos no campo de estudo no qual o projeto de pesquisa está inserido. Também são oferecidas disciplinas para que o mestrando adquira conhecimentos sobre didática e planejamento do processo de ensino e aprendizagem. A futura atuação no ensino superior também exige do mestrando o aperfeiçoamento do conhecimento relacionado a metodologia da pesquisa científica. Nessa direção, o aluno terá que cursar disciplinas específicas para esses fins ou buscar cursos sobre procedimentos metodológicos, como por exemplo, palestras sobre programas computadorizados para análises estatísticas. Ao término do Mestrado, com prazos que vão de um até dois anos e meio, o aluno deverá submeter a dissertação a avaliação por uma banca formada por professores da área da pesquisa. O processo de avaliação propriamente dito é composto por duas fases: o Exame de Qualificação e o Exame de apresentação da dissertação ou Defesa. Com o título de Mestre “em mãos” o profissional atuará em cursos de graduação em universidades públicas ou privadas. Nas universidades privadas desenvolverá, na maior parte do tempo, atividades de ensino e coordenação de projeto de extensão voltados para a comunidade, pois o desenvolvimento de pesquisas, em muitas delas, não é valorizado e/ou subsidiado. Nas universidades particulares será de grande utilidade do professor os conhecimentos adquiridos sobre como planejar processos de ensino-aprendizagem, pois há uma grande diversidade de alunos, de jovens que se dedicam somente aos estudos e adultos que já possuem famílias, exercem funções profissionais semelhantes ou distintas da graduação cursada. Nas universidades públicas o professor não poderá exercer atividades externas a universidade, pois os contratos exigem dedicação exclusiva. Desenvolverá atividades de ensino, projetos de extensão à comunidade e pesquisa. Em síntese, no que se refere ao trabalho em contexto acadêmico, espera-se do profissional a excelência na área de conhecimento para qual foi contratado, assim como amplos conhecimentos em metodologia de pesquisa. A qualidade com que desenvolve sua atuação, dependerá do contínuo contato com os pares e alunos, através da participação em congressos, submissão de relatos de pesquisa à revistas científicas, formação de grupos de pesquisa dentro da própria universidade ou com parcerias externas. Criar condições efetivas para que os alunos desenvolvam um interesse genuíno pelo estudo e avanço da ciência ou para uma rica prática profissional, somada “ao gosto” pela variação, inovação, descoberta, que permeiam as atividades de pesquisa, fazem da carreira acadêmica um campo de trabalho muito enriquecedor. Uma terceira possibilidade é representada pela atuação em contexto aplicado ao mesmo tempo em que leciona em instituições onde a dedicação exclusiva não é exigida. Ainda relacionada a conjunção de ambos os campos de atuação, há a possibilidade de fazer parte do quadro de supervisores de estágio curriculares de universidades privadas ou públicas. De uma forma indireta, ao mesmo tempo em que arranja condições para que os estagiários desenvolvam habilidades importantes para a atuação futura, também manterá contato com as vicissitudes do mercado profissional. Se há um conforto para aqueles que estão em dúvida quanto a temática desse ensaio, ela reside no fato de que essa decisão poderá a qualquer momento ser refeita, atentando sempre para os interesses pessoais de gratificação, os quais devem reger qualquer decisão sobre a escolha profissional.
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Os cursos de Mestrado profissional visam o avanço em rotinas profissionais com o aperfeiçoamento de procedimentos e técnicas. Os alunos desses programas, apesar da formação enfatizar o aperfeiçoamento de conhecimentos e técnicas para setores não acadêmicos, também precisam apresentar um trabalho final como requisito para obter a titulação, que poderá ser na forma dissertação, projeto de equipamentos, protótipos, entre outros. O aluno que conclui um mestrado profissionalizante poderá ingressar em programas de doutorado.