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Saudades da I JAC-USP!
Saudades da I JAC-USP!
Escrito por Paulo Abreu   
Seg, 16 de Agosto de 2010 21:03

As jornadas e encontros regionais de Análise do Comportamento vêm aumentando em várias regiões do país, mas só recentemente a Universidade de São Paulo pôde contar com a sua edição. A I Jornada de Análise do Comportamento da USP (JAC-USP) foi promovida nos dias 12 e 13 de agosto pelo Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia. 

 

 

O Departamento de Psicologia Experimental é reconhecido por ter sido palco do início da Análise Experimental do Comportamento no Brasil. Esse empreendimento começou com a vinda do professor Fred Keller há mais de 40 anos. O departamento foi também casa de grandes pesquisadores de orientação analítico-comportamental, como as inestimáveis professoras Maria Amélia Matos e Carolina Martuscelli Bori.

 

O evento contou com um auditório cheio e também com muitas ideias originais. A USP recebeu participantes do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. O que observamos foi um evento com características próprias, desde seu conceito inicial, orientado para questões filosóficas, até a presença de professores internacionais.

 

A I JAC-USP contou com as apresentações dos professores Cláudio Todorov (IESB), Alexandre Dittrich (UFPR), Kester Carrara (UNESP-Bauru), Isaias Pessotti (USP-Ribeirão), Lourenço Barba (Universidade Ibirapuera), Ricardo Martone (Núcleo Paradigma) e Jackson Marr (University of North Carolina).

 

Na quinta 12/08 o professor Gerson Tomanari (USP) abriu o evento representando os professores do departamento, Martha Hubner, Paula Debert, Maria Helena Hunziker e Miriam Mijares.

 

Após a abertura, o professor Isaias Pessotti (USP-Ribeirão) iniciou o ciclo de apresentações abordando a noção do eu na psicologia comportamental. Pessotti argumentou em sua palestra que o falar de si é sentido e percebido por quem fala. Logo esse comportamento se torna registro da experiência, e a pessoa que fala sobre si, tornar-se parte daquilo que é falado.

 

A seguir o professor Cláudio Todorov (IESB) trouxe um pouco da história da Análise do Comportamento no Brasil sob um ponto de vista muito pessoal. No seu discurso, fez questão de resgatar a influência decisiva de Brasília (Unb) na expansão da Análise do Comportamento para outros centros de excelência, como Londrina (UEL) e Belém (UFPA).

 

Ainda na quinta, Ricardo Martone (Núcleo Paradigma) contou um pouco da evolução do conceito de Metacontingências, sintetizando brilhantemente a sua pertinência na análise de sociedades complexas que enfatizam a individuação, autocontrole e autonomia.

 

Na sexta feira 13/08, Kester Carrara (UNESP-Bauru) começou o dia surpreendendo a todos por trazer uma nova postura pessoal com relação ao seu livro Behaviorismo Radical: Crítica e Metacrítica. O professor Kester se colocou menos em uma posição descritiva da história das críticas ao behaviorismo e muito mais numa posição interventiva. Em sua apresentação, analisou algumas críticas correntes da mídia nacional, sempre alertando a platéia da necessidade de aplicar nossos conhecimentos de modo a divulgar com mais eficácia a ciência comportamental. Lembrou que a falência do behaviorismo radical, freqüentemente anunciada por muitos autores, não condiz com os fatos históricos. O professor trouxe ainda dados que evidenciam o aumento exponencial de publicações, criação de novos grupos de pesquisa e multiplicação de eventos científicos (JAC’s e Encontros de AC).

 

Na sequência, Alexandre Dittrich (UFPR) analisou o benefício da adoção do determinismo na teoria skinneriana. Alexandre mostrou a utilidade em se procurar as determinações contextuais do comportamento, pois dessa forma seria possível um projeto de psicologia voltado para a previsão e controle do comportamento. O professor Alexandre também discorreu sobre o conceito de liberdade de acordo com a posição determinista skinneriana.

 

Em sua apresentação, o professor Lourenço Barba (Universidade Ibirapuera) trouxe a debate o mecanicismo. Lourenço defendeu que Skinner propôs um modelo causal voltado às “coisas vivas”, distinguindo o behaviorismo de modelos que explicam a interação de elementos dentro de um sistema mecânico.

 

Por fim, fechando o evento com chave de ouro, o professor norte-americano Jackson Marr (University of North Carolina) abordou as tarefas primárias de algumas ciências, mostrando que nelas a complexidade dos fenômenos naturais é estrategicamente reduzida a um limitado conjunto de conceitos, princípios e leis. O professor Marr argumentou que a Análise do Comportamento "reduziu" a complexidade do comportamento à ação das contingências de reforçamento.

 

A comissão de organização e o professor Alexandre Dittrich fizeram ainda uma singela homenagem à professora da PUC-SP Maria de Azevedo Pires Sério, falecida esse ano. A Téia, como era carinhosamente conhecida, foi lembrada como sendo uma verdadeira entusiasta do crescimento das JAC’s. Para todos os presentes no auditório Carolina Bori, foi um enorme infortúnio não ver a Téia participando dessa primeira jornada. O sucesso da JAC-USP certamente a alegraria muito.

 

O fechamento do evento ficou ao encargo da professora Maria Helena Hunziker (USP). Nas sábias palavras da professora Hunziker, a I JAC foi um verdadeiro divisor de águas na história atual do Departamento de Psicologia Experimental. A JAC-USP, ainda que recente em relação às outras JAC’s, conseguiu provar identidade própria. E é provável que por isso venha a entrar definitivamente no calendário nacional dos congressos de Psicologia.

 

Esse primeiro encontro só foi possível graças ao empenho e competência de toda a comissão de organização, Ana Franceschini, Ariene Souza, Glauce dos Santos, Heloísa Campos, Rafael Modenesi, Tauane Gehm e William Perez. Se depender dos colegas, teremos em 2011 uma II JAC da mesma qualidade dessa primeira edição!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários  

 
0 #5 Maravilha!Ariene 19/08/2010 23:00
hahahahahha
É mesmo Paulo!
Maravilha isso!
=)
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+2 #4 Integração NacionalPaulo Abreu 19/08/2010 14:25
Queridas (o) Carol, Angelo e Ariene,

Vocês notaram que nós estamos debatendo uma JAC de São Paulo, falando do Nordeste em um site do Paraná (Pasmen!rs)? As fronteiras entre as JAC's estão se diluindo, não? Esse parece ser o espírito atual de nossa ciência.
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+2 #3 AEEE!!!Ariene 19/08/2010 13:06
Foi maravilhosa JAC!
Paulinho muitíssimo obrigada! Vc foi nosso braço direito!
AEEE Ângelo!!! Em novembro será lá em Salvador!! Vamo que vamo!!!
Bjos todos!
=)
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+2 #2 Parabéns!Angelo A. S. Sampaio 19/08/2010 10:51
Parabéns à toda a comissão organizadora e a todos os participantes e demais pessoas que contribuíram com a JAC-USP!
O evento deve mesmo ter sido ótimo!
Mais uma JAC no calendário nacional é motivo para festa! Que continuemos facilitando o acesso à Análise do Comportamento e propiciando mais espaços de diálogo e discussão!
Grande Abraço!
PS: Notem a participação de uma baiana na organização de mais essa JAC (Ariene)! O que seria de São Paulo sem os nordestinos! hehehehe
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+4 #1 obrigadaCarolina Vieira 18/08/2010 16:31
Paulo e demais membros do IACC, acredito que posso falar em nome de toda a comissão quando digo que vocês foram peças importantíssima s para que a 1ª JAC-USP ocorresse com todo o sucesso que foi. Obrigada por todo o apoio e espaço cedido para nós. Com certeza, essa jornada foi o marco de outras que virão, com muita qualidade e sempre pensadas especialmente para o público que a prestigiou.
Mais uma vez, obrigada a todos.
Carolina Vieira
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